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PARTIDO REVOLUCIONÁRIO DO PROLETARIADO
BASES PELA REVOLUÇÃO

 

INTRODUÇÃO

O Partido Revolucionário do Proletariado - Bases pela Revolução (assim como o seu antecedor, o PRP-Brigadas Revolucionárias) não nasceu por acaso ou por um acto de voluntarismo dum punhado de militantes. Nasceu porque estavam (e estão) criadas as condições para que se pusessem na prática os problemas da violência revolucionária e da revolução socialista. A criação das Brigadas Revolucionárias e do PRP foi um acto de violência. Rompendo com um determinado passado, um grupo de militantes levou até ao fim da sua determinação de fazer na prática aquilo que preconizava por palavras. Este acto de concretização foi em si a verdadeira rotura. Quando em meados de 1970 um grupo de militantes se reuniu à volta de um projecto comum, cada um tinha feito dentro de si próprio a escolha de um novo caminho. Mas foi a 7 de Novembro de 1971, aquando da primeira acção das Brigadas Revolucionárias, que o verdadeiro corte com o passado se deu, tornando a situação irreversível sob ponto de vista colectivo. Ao rebentar as instalações da Base da Nato na Fonte da Telha, rebentaram-se as amarras com o passado. Passando das palavras aos actos a nossa organização tornou-se só então revolucionária; aquilo que era objectivo tornou-se realidade. Com esse acto duplamente violento; a violência da acção e a violência da ruptura com o passado iniciou-se a vida da organização que se transformara no Partido Revolucionário do Proletariado, integrando as então Brigadas Revolucionárias. Daí em diante o crescimento e a transformação desta nossa organização revolucionária deu-se sempre por saltos qualitativos, que significaram opções de fundo. As pessoas que iniciaram este processo eram realmente excepcionais dentro do meio, capazes de, determinada altura, fazerem a escolha fundamental; serem capazes de dar a vida por uma ideia. São todos estes homens e estas mulheres, que, convencidos do projecto da revolução socialista, põem, em dado momento, as suas pessoas e as suas vidas ao serviço desse projecto. Não são heróis, nem mártires, são apenas militantes que não vêem outra saída. Era e é convicção dos militantes do PRP-BR de que só a violência substitui o poder duma classe por outra, de que só a violência armada permitirá ao proletariado tomar o poder à burguesia. Por isso os militantes do PRP-BR iniciaram o seu caminho pela acção armada. Essa era a única forma de serem consequentes. Mas sabendo desde o inicio que as acções armadas só serviriam se conjugadas com as lutas de massas, desde o início também que esses militantes criam núcleos de luta nas fábricas e noutros locais de trabalho. Construindo uma organização armada e política o PRP-BR, bateram-se desde o princípio pelo objectivo de revolução socialista. Na verdade o seu aparecimento e o seu crescimento revelaram que estavam criadas condições de amadurecimento político dentro da classe operária, que permitiram que surgissem elementos de vanguarda, capazes de se bater por um projecto e de se organizar à volta dele. Estas condições de consciência política estão intimamente ligadas às condições económico-sociais, que tornam possível pôr em Portugal o objectivo da Revolução Socialista. País sujeito à exploração do Imperialismo, sujeito a uma situação económica que o coloca em condições de crise permanente, Portugal tem no entanto um vasto sector operário, grande parte dele tão desenvolvido como em qualquer parte da Europa. Esta coexistência de mão-de-obra barata com grande desenvolvimento das forças produtivas, cria condições que podem possibilitar uma revolução socialista num país do ocidente - Portugal. É esta aposta que o PRP-BR fez desde o seu início e os factos têm demonstrado que tinha razão. O PRP-BR foi a primeira organização em Portugal a pôr o objectivo da Revolução Socialista. Hoje, com a queda do fascismo, torna-se dia a dia mais evidente que a situação económica determina que é impossível a estabilização da democracia burguesa e que a opção revolucionária é a Revolução socialista, com a tomada do poder pelos trabalhadores para acabar com a propriedade privada dos meios de produção e estabelecer a forma de produção socialista, como etapa para a construção da sociedade comunista. O PRP-BR é hoje um partido querido entre os trabalhadores portugueses, organizado nos principais centros de produção, com uma larguíssima maioria de operários. Hoje já nada tem a ver organicamente com o núcleo duro de militantes que em 1970 apostou num determinado projecto revolucionário. Todos os dias morre algo de velho e nasce algo de novo, é nesta contradição que reside a luta pela construção dum partido para o futuro, contra o espírito de conservação e contra a inércia. Foi também por isso que o Partido Revolucionário do Proletariado - Bases pela Revolução, foi refundado a 17 de Julho de 2002 por um núcleo de ex-militantes do PRP original e de sindicalistas, que, apesar de reconhecerem existir uma nova realidade europeia e global, assim como uma nova conjuntura social e política em Portugal, consideramos não estarem ainda esgotadas todas as alternativas para a emancipação dos trabalhadores portugueses. Nós pretendemos esclarecer e consciencializar o proletariado, as eleições burguesas não são a solução para resolver os problemas que nos afectam, temos de lutar pelos nossos direitos e pela independência nacional, temos de derrotar o capitalismo, não através do jogo eleitoralista burguês, mas sim através da luta armada do proletariado organizado e não sob a tutela de qualquer partido. Mais do que nunca a Revolução socialista é urgente. Sabemos que hoje ainda, escolher o PRP-BR é escolher pela via mais difícil, é não enveredar pelo oportunismo daqueles que escolhem os partidos instalados no poder. A luta frontal contra a burguesia, o confronto com o reformismo, o confronto com o conformismo, o confronto com a social-democracia, dão-nos hoje garantias de que os militantes do PRP-BR continuam a ser revolucionários e a nossa organização resguarda-se de oportunistas. Sabemos que se aproximam os dias do confronto final com a burguesia. E hoje, como no tempo da clandestinidade, a cada militante e ao Partido no todo por-se-á o problema de não iludir as questões fundamentais e de, no momento decisivo, ser capaz de dar a vida pela classe. Assumir a luta pelo triunfo do proletariado do mundo inteiro é antes de tudo, para cada um dos militantes, lutar pela Revolução Socialista aqui em Portugal. Descobrir e rebentar a base da NATO da Fonte da Telha tantas vezes quanto necessário, recomeçando sempre a luta contra o Imperialismo, combatendo a sua garra aqui, para que desapareça de todo da face da terra! Viva a sociedade comunista!